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domingo, 17 de dezembro de 2017

Além dos Livros #4 - O Estado, os Subornos e Nós


“ “(…) Paguei ao meu conhecido para me dar acesso ao ministro e paguei ao ministro para me conceder o exclusivo e assinar o contrato.”
“Ou seja, precisou de olear o processo com bakshish…”
Ohannes abriu os braços, como quem expõe uma evidência.
“Meu caro, ninguém enriquece no Império Otomano sem pôr dinheiro nas mãos dos decisores e da clique que os rodeia (…)” ”

Esta passagem textual encontra-se no livro O Homem de Constantinopla, escrito por José Rodrigues dos Santos, e decidi escrever um pouco sobre ela por ser um ponto negativo que existe na maioria das nações do nosso mundo e que, com o seu fim, promover-se-ia a igualdade entre todas as pessoas, sendo necessário o mérito próprio para que alguém se conseguisse destacar.

Nesta passagem, Calouste Gulbenkian falava com o pai da sua mulher, estando este último a contar-lhe como tinha conseguido obter a sua riqueza. Ohannes, através de bakshish (subornos), tinha obtido acesso aos homens com os mais altos cargos no Império Otomano para negociar com eles e, recorrendo novamente aos subornos, assinou com eles um contrato exclusivo que em tudo o beneficiava, o inverso do que aconteceria com o Império Otomano.

Calouste Gulbenkian vivera durante a segunda metade do século XIX e a primeira do século XX, sendo que este diálogo poderia ter realmente ocorrido, tendo em conta que estamos perante uma obra de ficção, nessa altura. Podemos ver, então, que muitos dos homens ricos que existiam no Império Otomano conseguiram obter as suas fortunas através da corrupção, beneficiando eles com esses contratos, enquanto que, em simultâneo, prejudicavam o Império Otomano.

Porém, apesar de esta conversa poder ter tido lugar há mais de 100 anos, esta poderia passar-se nos dias de hoje. Indo além da componente temporal, esta conversa poderia ocorrer na Turquia, mas poderia igualmente ser tida em inúmeros outros países, entre os quais poderia estar Portugal!

O nosso País, apesar de estar inserido na União Europeia e de, atualmente, se encontrar 30 posições acima da Turquia no que diz respeito ao Índice de Desenvolvimento Humano, é fustigado por negociatas que, em variadíssimas situações, sai lesado em favor da outra parte dos contratos. Portugal, que é um País que está na moda e que atrai numerosos turistas, tem vindo a ser destruído, nomeadamente no que toca ao seu património ambiental e paisagístico.

Além disso, não são só as nossas paisagens e as nossas mais-valias ambientais que saem prejudicadas, também nós, os contribuintes, somos lesados, pois o Estado somos NÓS. Se não existissem pessoas, não existiria Estado e sempre que este sai lesado num negócio, NÓS somos, consequentemente, lesados também. Por esse motivo, TODOS temos de nos tornar cidadãos politicamente conscientes e capazes de entender todas as consequências em que Portugal, enquanto Estado, quer a nível local ou central, se envolve, pois NÓS, cidadãos e contribuintes, somos parte interessada e, se procuramos sempre o melhor possível para nós, porque não o fazemos nestes casos?

Para finalizar o texto, faço um apelo a todos para que pensem que todos fazemos parte do Estado e que, sempre que este, quer a nível nacional ou local, se envolva em algum acordo, negócio, etc., também se lembrem que fazem parte da decisão. Um país com cidadãos mais conscientes e mais informados é um país mais forte.


Clique aqui para ler a Crítica Literária à obra O Homem de Constantinopla.

domingo, 3 de dezembro de 2017

Crítica Literária #30 - A história não acaba assim, de Miguel Sousa Tavares

Razão da escolha
Apesar de já ter lido mais duas obras do autor: Rio das Flores e Equador, sobre as quais já escrevi e deixarei o link para cada uma delas no final, eu conhecia Miguel Sousa Tavares também como um comentador político e, por querer conhecer essa faceta do autor, decidi ler este livro.

Reação às primeiras páginas
Desde as primeiras crónicas que o raciocínio crítico do autor me cativou e me fez tomar a decisão de ler o livro até ao fim, pois, embora não concorde com todos os seus pontos de vista, admiro a sua coragem em escrever sobre determinados temas, tendo em conta o número de leitores que ele pode atingir.

Resumo
Sendo esta obra uma coletânea de escritos políticos redigidos pelo autor entre os anos de 2005 e 2012, o livro não tem nenhum enredo além da ordem cronológica. Portanto, no que toca a resumir este livro, há que dizer que o autor fala de diversos temas relevantes para a vida política e social de Portugal, nomeadamente a educação; a saúde; a banca, algumas obras públicas, como o Alqueva, o projeto do TGV; a privatização da TAP; a destruição de parte do património natural e ambiental Português, entre muitos outros.

Aspetos a destacar
Tal como já referi acima, admiro a coragem que o autor tem para escrever sobre certos temas, que são bastante sensíveis e que envolvem interesses capazes de corromper muitos, mas aos quais ele, aparentemente, parece resistir.

Além disso, também admiro o seu raciocínio crítico perante inúmeras situações, uma vez que consegue analisar as situações sem olhar apenas para o passado imediato nem para o presente, mas com uma visão de longo prazo, que, em muitos casos, é o que falta em muitas das decisões que envolvem o futuro e o desenvolvimento do nosso País.

Recomendação
Para quem quer ler um livro onde se encontram bons argumentos e exemplos bastante claros sobre a política nacional, esta é uma obra a não perder. Goste-se ou não dos seus pontos de vistas, concorde-se ou não, é uma boa forma de tomar conhecimento sobre certos acontecimentos e sobre certas situações, sendo que o melhor a fazer para podermos formar a nossa opinião sobre algo que não conhecemos bem é ir investigar sobre isso para que os nossos argumentos sejam fortes e dificilmente desmontáveis.

  • Para ir para a Crítica Literária à obra Equador clique aqui.
  • Para ir para a Crítica Literária à obra Rio das Flores, clique aqui. 

domingo, 2 de julho de 2017

Crítica Literária #22 - Regionalização, de Luís Valente de Oliveira

Razão da escolha
Este livro foi-me recomendado pelo professor de Geografia como forma de poder apresentar medidas para o projeto “Parlamento dos Jovens” de uma perspetiva diferente da habitual.

Reação às primeiras páginas
Este livro, sendo um ensaio político, foi, desde o início, um livro que considerei um desafio ler, sendo que, logo no começo, me deparei com um vocabulário mais elaborado e de mais difícil compreensão, mas que não me fez desistir.

Resumo
Como já referi anteriormente, este livro é um ensaio político acerca da regionalização do País, sendo que o autor apresenta a forma como o País, focando-se apenas em Portugal Continental pode ser dividido; quais as funções que essas regiões passarão a ter; quais as funções que a Administração Central perderá; de que modo se administrarão essas regiões; que medidas podem ser tomadas no sentido de se poder atingir a regionalização, entre muitos outros aspetos que o autor analisou exaustivamente para mostrar as vantagens da regionalização, o que se deve fazer para se atingir isso e quais os perigos com que nos poderemos defrontar.

Aspetos a destacar
Este foi o primeiro ensaio político que li, sendo que uma das coisas que tenho a destacar é, sem dúvida, o tipo do livro, visto que foi uma novidade para mim, devido ao elaborado e rico vocabulário utilizado, bem como a mensagem que o livro tem por objetivo transmitir.

O segundo aspeto que tenho a destacar é a própria mensagem que o livro quer transmitir, pois achei bastante interessante a proposta que o autor transmite: regionalizar Portugal, criando uma administração que se encontra entre o nível local e o nível regional, à qual se atribuirá inúmeras funções que pertenciam ao nível central, de modo a aproximar a Administração dos Administrados.

Excerto e motivos da escolha do excerto
O excerto que escolhi foi o seguinte: “Temos em Portugal mais de oitenta mapas diferentes que tornam as compatibilizações de dados muito difíceis e a administração de todos os dias infernal.”

O autor, quando se refere aos “mais de oitenta mapas diferentes”, fala dos inúmeros mapas relativos aos vários setores de atividade que existem no Estado e escolhi este excerto porque mostra de forma rápida um dos problemas que existe em Portugal, pois o autor, no mesmo parágrafo onde se insere a frase que retirei, concretiza esse problema num bom exemplo, em que uma pessoa com vários problemas relacionados com vários setores tem de se dirigir a várias cidades diferentes para conseguir ver todos os seus problemas resolvidos, sendo que, com a regionalização, essa mesma pessoa teria apenas de se dirigir a um único local onde veria todos os seus problemas resolvidos.

Recomendação
Recomendaria a leitura deste livro porque a proposta de regionalização do País deveria ser levada mais a sério, visto que, segundo o que o autor nos apresenta, é uma forma de resolver diversos problemas que todos os cidadãos experimentam. Contudo, não recomendaria a leitura deste livro a ninguém que não domine bem a língua portuguesa, visto que o vocabulário utilizado ao longo do livro é bastante rico e pode facilmente fazer com que nos sintamos perdidos e confusos.

domingo, 18 de junho de 2017

Crítica Literária #21 - Os Planos Bilderberg para Portugal, de Rui Pedro Antunes

Razão da escolha
Quando vi este livro exposto, o seu título chamou-me a atenção, bem como as caras que figuravam na sua capa. Por esse motivo, decidi pegar nele e ler a contracapa. Após ter feito isso, decidi que deveria comprá-lo, pois tanto a capa como a contracapa me deixaram intrigado.

Reação às primeiras páginas
Este livro é diferente do tipo normal de livros que costumo ler, mas, devido à curiosidade que o livro me causou desde que o vi, sempre tive vontade de ler e de ficar mais informado em relação a este assunto.

Resumo
A parte inicial do livro é dedicada ao modo como surgiu o clube de Bilderberg, aos seus fundadores, às suas regras, ao seu financiamento, os seus convidados, as pessoas que já o frequentaram, entre outros aspetos importantes ligados a este clube.

A segunda parte do livro é dedicada, inteiramente, aos portugueses que já visitaram o clube de Bilderberg, sendo que deste lote de pessoas fazem parte Francisco Pinto Balsemão, Durão Barroso, António Guterres, António Costa, Paulo Portas, José Sócrates, Jorge Sampaio, Marcelo Rebelo de Sousa, entre muitos outros.

Após a demonstração de como o clube de Bilderberg pode influenciar o destino de um País, neste caso Portugal, a terceira parte do livro relata-nos a influência que o clube de Bilderberg tem não só a nível europeu, mas também mundial.

Aspetos a destacar
Este livro mostra-nos que, quando um conjunto de homens muito poderosos, sejam estes políticos, empresários, banqueiros, ou com outra profissão semelhante a estas, de vários pontos do mundo, se juntam numa conferência fechada ao público em geral, há muitas decisões que se tomam e que influenciam o destino de uma nação, sendo que isso está bem patente neste livro, mas a verdade é que, dada a pouca transparência inerente a este clube, não sabemos nunca se as decisões realmente nascem lá, mas não podemos ignorar o facto de muitas decisões polémicas surgirem após estas reuniões acontecerem.